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IMUNIZAÇÕES
Ao completar o preparo desta edição de IMUNIZAÇÕES, concluímos que seu lançamento ocorre em momento muito especial. Nos últimos anos houve grandes progressos no campo da imunização ativa e passiva, exigindo e tornando extraordinariamente oportuna publicação atualizada sobre o tema. Na década de 80 foram introduzidas na prática médica a vacina contra a hepatite B e a vacina contra a infecção pelo Hemophilus influenzae do tipo b e obtidas vacinas antipertussis acelulares; a vacina contra a varicela passou a ser utilizada no Japão e na Coréia e foram realizados os primeiros estudos de campo com a vacina antimalárica colombiana, com resultados preliminares promissores; foram aperfeiçoadas e tiveram seus esquemas de uso melhor avaliados as vacinas antimeningocócica, antipneumocócica e anti-rábi-ca preparada em cultura de células diplóides humanas, introduzidas na prática na década anterior; progrediram acentuadamente os estudos sobre as vacinas contra a citomegalovirose, a febre tifóide (por via oral), a hepatite A e as infecções intestinais causadas por Escherichia coli; demonstrou-se definitivamente a eficácia e a segurança da administração simultânea das vacinas do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e de outras vacinas, eliminando-se as preocupações do passado quanto a eventuais prejuízos decorrentes da aplicação, no mesmo dia, de vários agentes imunizantes. Também foram estabelecidas com precisão as indicações e a importância da vacinação de adultos, assim como as indicações e con-tra-indicações da vacinação de pessoas imunocomprome-tidas e de gestantes. Métodos clássicos usados no preparo de vacinas foram aprimorados e as técnicas de engenharia genética possibilitaram a obtenção de novos agentes imunizantes, potentes e isentos de impurezas, abrindo perspectiva muito otimista quanto à descoberta de vacinas contra doenças até agora não-preveníveis por imunização ativa. Também é recente a intensificação do uso de vacinas, não para induzir proteção às pessoas que as recebem, mas com a finalidade de obter imuno-globulinas humanas específicas, administradas por via intramuscular ou endovenosa, para a profilaxia e o tratamento de infecções causadas por vírus e bactérias. Acrescente-se o fato de que grande número de estudos epide-miológicos efetuados na última década forneceu subsídios para mudanças muito significativas nas estratégias de vacinação. No Brasil, apesar do agravamento das dificuldades econômico-financeiras do País e da falta de consciência política solidificada sobre a importância da aplicação maciça de recursos na imunização infantil, houve alguns progressos, que levaram ao aumento da cobertura vacinai — ainda insatisfatória para várias doenças -e à diminuição da incidência, em algumas regiões do País, de infecções imunopreveníveis. Estão, porém, por ser alcançados quase todos os objetivos do Programa Nacional de Imunizações (PNI), instituído em 1973; a meta — estabelecida em 1977 pela Organização Mundial da Saúde — de vacinar todas as crianças do mundo contra tétano, difteria, coqueluche, poliomielite, sarampo e tuberculose, até 1990, também não foi atingida no Brasil. Por outro lado, o Ministério da Saúde nem sequer cogita incluir no PNI vacinas contra a caxumba, a rubéo-la e a infecção pelo Hemophilus influenzae do tipo b; só em alguns centros privilegiados do País se destinam recursos para aplicação gratuita da vacina contra a hepatite B nas pessoas pertencentes a grupos de risco. Há, portanto, caminho ainda longo a percorrer para que as crianças e os adultos brasileiros possam ser considerados adequadamente protegidos contra doenças imunopreveníveis. Com a terceira edição deste livro, damos continuidade à nossa já antiga participação no esforço de divulgar em nosso País conhecimentos atualizados sobre as IMUNIZAÇÕES e de exigir maior empenho das autoridades de Saúde Pública no sentido de a meta da Organização Mundial da Saúde — imunização universal das crianças — ser alcançada no Brasil o mais rapidamente possível.
Editora: Sarvier Nº de páginas: 274 Tamanho: 18,5x27,5
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